29 · 07 · 2026
Vinte anos,
Rafaela
Vinte anos de tu, vinte e um dias de nós. Começou com uma encomenda. Cê entende que isso escalou rápido, né?
i · registro
Vinte e um dias
Bah, vinte. Faz vinte e um dias que eu te conheço e tu já é a pessoa com quem eu falo mais do que com todo o resto do mundo junto. Isso devia me assustar um pouco. Não tá assustando nem um pouco.
E olha que começou com uma encomenda. Eu só queria te agradecer por ter recebido um pacote meu. Coisa de dois minutos, dessas que a gente resolve e esquece no mesmo dia. Três semanas depois eu tô aqui de madrugada acertando o ângulo de um coração feito de pontuação, porque a primeira versão girava torta. E ninguém além de mim ia perceber que girava torta.
Eu ia perceber.
Podia ter comprado alguma coisa, claro. Levaria oito minutos, tem coisa bonita por aí. Só que tu ia abrir, ia achar lindo, e em duas semanas ia estar numa gaveta junto com o resto das coisas bonitas que alguém comprou em oito minutos.
Isso aqui não cabe em gaveta. Isso aqui fica no ar.
É o que eu sei fazer de mais parecido com presente: prestar atenção em quantidade completamente desproporcional ao tamanho da ocasião. Reparar no ângulo. Contar os segundos. Achar que tu merece que alguém conte os segundos.
E antes que tu pergunte se eu contei mesmo: contei. Tá tudo ali embaixo, atualizando em tempo real, com fuso de Brasília e tudo. Eu ia fazer arredondado, aí pensei que tu ia querer ver os segundos passando.
- no ar desde
- ·
- sem uma única queda há
- ·
- faltam
- ·
- incidente aberto
- ·
ii
Vinte é cedo
Vinte é cedo pra ter as coisas resolvidas, e eu sinceramente espero que tu não tenha. Essa é a parte boa. Quase tudo que tu vai ser ainda não aconteceu.
O que eu quero é estar por perto quando acontecer. Não de longe torcendo, que é fácil e qualquer um faz. Por perto mesmo, atrapalhando um pouco, opinando sobre coisa que ninguém pediu, do jeito que eu faço.
Te amo, mor. E sim, tu causou um problema de infra bizarro aqui. Não pretendo resolver.